quinta-feira, 7 de julho de 2011

A Cruz de Cristo e a nossa




“Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre multidão de pecados”.
1 Pedro 4.8  


O amor COBRE multidões de pecados. Isto é, amar é esconder, proteger. É encobrir a vergonha do outro. O amor é a Justiça de Deus, ou seja, é Cristo, nosso Justificador. Amar é tornar justo, ter como justo o que não é. Traduzindo: é ter o que deve, como se não devesse. É zerar a conta do que não pode pagar. É rasgar a promissória. 

Mas, na minha mente, fico pensando na saúde psíquica de tal disposição de amar: ou seja, até onde chamo de "minha capacidade de perdoar", o que, na verdade, é fruto de uma auto-depreciação ou de uma anulação de mim mesmo. Sendo mais claro: não seria isso uma nulificação de meu ser? 

Refletindo brevemente sobre isso, pensei rapidamente sobre o que Jesus disse: "negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me".

O que o Autor da Vida, Aquele que veio para que nEle se viva em abundância, quis dizer com "negue-se a si mesmo"? Estaria essa ordem expressando alguma espécie de pessimismo essencial tal qual no niilismo budista? Uma negação do ser? 

Como também fiz questão de dizer: Ele veio para que tivéssemos vida em abundância. Ou seja, de alguma forma, o que deve ser negado em nós, não é aquilo que ele veio para que tivéssemos abundantemente. Ele não pede para que neguemos a vida! Antes, este negar-se é o processo pelo qual chegaremos a ter  uma vida abundante. Aquilo que deve ser negado, por isso, são as nossas falsificações - àquilo que agregamos ilegitimamente à noção de quem somos, e a noção do que seja vida.

E quando Ele nos diz: tome a sua cruz, ele usa uma referência de seu próprio processo e modo: a cruz. Ele aponta para o seu caminho. 

Mas o que eu queria enfocar nessa sequência de ordens é o que Ele diz ao final: "e siga-me". Ora, a nossa cruz só é se for antecedida pela Cruz de Cristo. Não há nossa cruz, sem que haja a Cruz de Cristo. Estamos, por assim, dizer, à Sua sombra. 

Amar como quem cobre multidão de pecados, e perdoar como quem zera a conta, não é uma nulificação do ser. A saúde psíquica fundamenta-se justamente na sequência toda: Só tomamos uma cruz que seja nossa, porque Cristo tomou a Sua em nosso favor. É a Cruz de Cristo, o amor de Cristo, que banca nossa cruz e nosso amor. Por isso que no Pai Nosso, o perdão que oferecemos ao próximo é intrinsecamente relacionado ao perdão que recebemos de Deus.

A nossa cruz não tem autonomia. Antes, é ramo da Videira-Cruz de Cristo. A força e a capacidade no nosso perdão, reside, no poder infinito dAquele amor que nos foi dado na Cruz.

Na Cruz Deus nos ama, Da Cruz amamos os outros!
Que possamos achar em Cristo, as profundas riquezas que a nossa miséria precisa.
Assim, no meu espírito, mais uma vez, o Evangelho avança invencível como o modelo ideal de Vida e Saúde humana.

Eric Brito,
Itabuna-Ba, 07/07/2011

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