segunda-feira, 18 de julho de 2011

E POR FALAR EM FLORES...





Sinto-me parte de uma tradição teológica agostiniana, que diz que Deus dá a graça que convida, impulsiona, direciona, inspira, revitaliza, mas também que confirma e garante. Há uma graça que nos faz permanecer e perseverar.

A vida cristã tem o tempero do desconhecido, mas também as garantias da Fé e a inspiração da Esperança.

Já está consumado! E somos mais que vencedores.

Mas ela é mais que um jogo que se joga apenas para cumprir tabela, como quando um time é campeão antes do fim do campeonato.

A despeito das garantias, a vida cristã não deixa de ser uma aventura.

É assim, porque desconhecemos o amanhã e sabemos muito pouco sobre o hoje. Nosso conhecimento é, em todas as dimensões, "em parte". E é assim porque, fora da Fé, tudo nos é incerto.

Além disso, não temos controle sequer sobre nosso próprio corpo, ou alma. Nós mesmos, às vezes, somos levados por forças desconhecidas.

O mundo é assim para nós: inseguro, desconhecido, incontrolável...

Isto é, ele é um perfeito cenário de uma aventura!

Além do mais, há, como em toda aventura, as intempéries, os vilões, as dificuldades...

Parece tudo muito hostil, e, como que por seleção natural, temos que lutar para sobreviver, para nos adaptar. Se não, essa maré nos arrasta e arrasa.

Permanecer é luta!

Não é a toa que a busca mais universal entre os humanos é essa: de segurança.

Vivemos sob fogo! Por isso somos todos, adultos e crianças, temerosos. Ansiamos por colo, por segurança, por proteção. Temos muito medo de não sermos aceitos, amados e queridos.

Que aventura!

E como essa aventura é "apimentada" com o tempero da fé! Às vezes a fé não acalma, mas trás suas próprias tempestades e agitações.

Ah, que mundo!
É frio lá fora!
Mas um novo caminho se abre em nós, a partir de dentro, quando andamos com Aquele que observava o cuidado do Pai nos lírios.

Com ele, passamos a atentar melhor para o mundo, discernindo-lhe as flores.

E o mundo não foi melhor para Jesus: o mundo que ele viveu, expulsou-lhe.

Só na mente de alguém como Jesus para haver essa associação de fé e flores. De flores e segurança. De flores e Paz.

Se há jardins, há também o Castelo Forte, o Esconderijo, o Escudo!

Se há jardins, há o Pai!

Se há algo como as flores, há também um Jardineiro da nossa vida.

Se há o Jardineiro, há de haver flores, espalhadas pelo caminho.

Para vê-las, não é preciso vê-las "pela fé". Não! A fé só nos faz enxergar, os lírios estão lá. Pela fé, vemos nelas, o Pai.

A alma do que crê é, pois, florida.

E a alma que foi uma vez florida é aquela que se ajunta ao Jardineiro num empreendimento de fazer com que as "rosas vençam os canhões".

"Observai os lírios; eles não fiam, nem tecem. Eu, contudo, vos afirmo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles" (Lucas 12.27). 

Enxergar o Pai, nas rosas, dá um segurança que os canhões não podem dar.

Salomão, cercado de uma glória real, tinha cavalos de mais para que neles não confiassem (Salmos 20.7). Era sábio demais, para que desconfiasse de si mesmo. Por isso não podia estar entre àqueles simples e pequeninos, a quem Deus se aprouve de  Revelar-se numa rosa (Lucas  10.21).

Você tem observado as rosas do cuidado de Deus para com sua vida? Você tem observado que tais "rosas" são, na sua vida, mais bem vistas nas coisas simples e singelas - como os lírios, que nas pomposidades salomônicas?

Observai, pois, os lírios!

Eric
Itabuna-Ba
22/01/2010

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