terça-feira, 26 de julho de 2011

Porque o caminho PODE SER Estreito



   "Entrai pela porta estreita (larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz para a perdição, e são muitos os que entram por ela)" 
(MT 7.13)


Esse caminho estreito cabe todo mundo. Mas nós, com toda essa nossa gordura - de maldade, de juízos impróprios, de desumanidade, revanchismo, partidarismo, triunfalismo - e tudo mais que é pecado, nos tornamos grandes demais para passar nele.

Esse é o paradoxo do caminho: cabe todo mundo, mas não cabe um único cheio de si.


É que a estreiteza dessa porta é de uma natureza diferente. Mede, por dentro.


Nós que somos, digamos, "os da religião", sofremos da tentação do fariseu. E na verdade, estamos mais próximos de andar pelo caminho do fariseu do que um ímpio. Mas por que cito o caminho do fariseu? Porque, se leio bem os evangelhos, os fariseus eram os únicos "sãos" - que não precisavam do Médico. Um caminho, digamos, auto-suficiente, de justiça própria.


O Evangelho não, é para os doentes - como eu.


O coração que cabe no caminho estreito é só um: o contrito, o quebrantado. O Manso ou o ensinável.


Como eu ouvi ontem de um homem de um santo de Deus: eu valho muito pouco mesmo, me desculpe alguma coisa.

Esse é o caminho que me propus a seguir, o da Graça de Deus. Uma Graça muito cara, que custou Jesus.


E essa é a minha nudez, eu vou ao Julgamento, e não levo ninguém comigo. Vou para o meu Julgamento. Assim, não sou melhor ou pior, sou o que sou. O réu sou eu. O outro não é a minha medida.


E a minha paz, mesmo culpado, é o Evangelho - em sua essência. Que é Cristo como propiciação, que é o vicariato de sua vida e obra. Que é Cristo como Justiça de Deus, levando na Cruz o que era para mim.


Sem o evangelho, culpado como eu sou, eu não teria essa paz. Mas como sou beneficiário da justiça de Cristo, estou nu para todo o mundo. Eu, sendo quem eu sou, estou nu - e vestido de Cristo - e quem vence essa minha consciência? Quem me acusa, se em Cristo, sou dito justo?


O evangelho é dieta, o evangelho é cruz. Mais especificamente: o evangelho é a minha cruz. A minha, não a do outro.


Assim, depois de alguns anos trilhando com pés vacilantes mas com o coração firme esse caminho, toda minha confissão de fé pode ser resumida na fala de um bem aventurado descrito no evangelho:

Nós, recebemos, com justiça, o castigo pelos nossos erros. Ele, Cristo, nenhum mal fez. Lembra-te Senhor, de mim...


O que passar disso, é tangente do caminho do fariseu.


O caminho de Cristo é estreito: e agente só passa em pedaços, em contrição. 


Eu desci - e estou em baixo. E é para lá que a Graça vai.

E o que acaba diferenciando os homens - é a sua resposta à Cruz.

Diga-me o que amas, diria Agostinho, e eu te direi quem és.

Pense nisso!

Um comentário:

  1. Precioso e preciso, Erik, seu texto. REsume muito do q penso, quero e preciso viver... Descer... Perder... Diminuir... São alguns verbos q venho tentando aprender a conjugar no meu dia-a-dia, dor-em-dor...

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