segunda-feira, 18 de julho de 2011

Karl Rahner: uma oração



“Eu gostaria de falar-Te agora sobre minha oração, ó Senhor.
E embora tão frequentemente pareça que Tu dás pouca atenção ao que tento dizer-Te em minhas orações, por favor, escuta-me agora cuidadosamente.
Oh, Senhor Deus, não me admiro que minhas orações ficam quão aquém de Ti – pois até mesmo por muitas vezes deixo de prestar a mínima atenção ao que estou orando. Por muitas vezes, considero minha oração apenas como uma tarefa que eu tenho de fazer, um dever a ser realizado. Eu ‘saio a caminho’ e então relaxo, alegre porque aquele momento passou. Quando eu oro, estou ocupado em meu dever, ao invés de estar ocupado contigo.
Sim, essa é a minha oração. Admito-a. E, no entanto, acho difícil sentir-me triste por orar tão inadequadamente. Como pode um homem esperar falar contigo? Tu és tão distante e tão misterioso. Quando oro, é como se minhas palavras desaparecessem em algum poço profundo e escuro, de onde não soa qualquer eco que me garanta que eles atingiram o fundo do teu coração
Será a minha vida, realmente, não mais do que uma simples e breve aspiração, e todas as minhas orações apenas formulações diferentes disso, em palavras humanas? Será a eterna possessão de Tua pessoa a Tua resposta eterna a isso? O Teu silêncio, quando oro, realmente será um discurso pleno de promessas infinitas, muitíssimo mais significativas do que qualquer palavra audível que poderia falar à compreensão limitada de meu coração estreito – uma palavra que, por si mesma, tornar-se-ia tão pequena e tão pobre como eu mesmo? Suponho que assim acontece, ó Senhor... Se supusermos que minha vida é apenas uma única oração, e que minha oração é parte dessa vida, carregada até à Tua presença, então devo ter o poder de apresentar-te a minha vida, o meu próprio ‘eu’ a Ti.”

Karl Rahner

Citado por James houston

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