segunda-feira, 18 de julho de 2011

A Verdade, Deus e eu



Eu tenho um quê do neoplatonismo agostiniano que vê - por conta do que não vê. Enxerga porque a Luz possibilita. E essa luz, esse insight, essa inspiração, não sou eu que a controlo. A Verdade, tem, em algum sentido, autonomia.

Nem Pan, e suas outras versões do Todo Impessoal, nem as versões metafísicas do Deus grego, nem as fileiras do Olimpo, nem as bestas espiritualistas, conseguem me dizer porque eu estou eu, e porque um "eu" surgiu.

A Verdade, autônoma, também ela é pessoal.


E, por fim, a Verdade, como em Kierkegaard, é subjetividade. Ela é quando é minha. Quando é própria. Quando envolve o ser todo. Envolve riscos, e é um romance.

Deus é, Ele criou e sustenta. Tudo que existe, nele existe. Eu existo nele. E para ele fui feito.

A Verdade, autônoma: Deus se Revela.

A Verdade é pessoal: Deus é pessoal.


A Verdade é subjetividade: existe um eu, que foi feito para Deus, capaz de percebê-lo, quando Ele tira o véu.


A Verdade como pessoa explica o eu. E justifica a ética. E dá propósito: explicando porque ele não é o ideal de esvaziamento e dissolução na impessoalidade - esse niilismo budista.

A Verdade como Pessoa explica a Fé Cristã: escândalo para o judeu, loucura para o grego.

A Verdade como Pessoa explica a Lei, e possibilita a ciência.

A Verdade como Pessoa sustenta a ética.

O Credo se mostra uma Filosofia Sólida - como raras há, se há.

A Criação, Queda e Redenção - pano de fundo e aplicação do Evangelho - explica a criação, endereça o Bem e não esconde o mal.


Se algum antropólogo descobrir, em algum tempo, a ateuolândia, eu posso alterar minha tese de que não há ateísmo que não seja emocional: no final, uma rebeldia... E no nosso Ocidente, essa rebeldia é um contrato social.

O Pós-moderno vêm dizendo: eu deixo que você creia.

Mas o que crê, que nunca perdeu sua pretensão, responde: eu cri quando você não deixava.

A minha pretensão é esta: eu não tenho a Verdade, mas ela me tem. Dela, no máximo, eu posso ser testemunha. Eu posso apontá-la. Esse é o pequeno fio que que liga a Verdade em mim, à arena pública. E é muito que se tenha um fio! É um fio por meio do qual se tenta passar o Camelo da Verdade pela agulha do seu interior.

A pretensão do que crê é essa: a Verdade é autônoma, tem vontade, e Revela-se a quem quiser. Ou de outra forma: eu não sou você. Isto é, eu sinto o que sinto, vejo o que vejo, sei do que sei. E meus olhos o Viram....

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