segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Como não perder a alma?




Marcos 8.36 - Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?

Mateus 16.26 - Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou que dará o homem em troca da sua alma?


Lendo apressadamente esse versículo, parece que o importante é não perder a alma, isto é, sem que isso aconteça, não há nada de errado em ganhar o mundo.
Há quem pense que dá pra sustentar os dois: reter a alma e ganhar o mundo.

Só que esse maneirismo da comunicação do nosso Senhor - o exagero, não é mal colocado. Ele freqüentemente usa de imagens grotescas, desproporcionais. Assim, Ele constrói cenas com traves, ciscos e olhos. Camelos e agulhas. E uma peneira que filtra mosca e deixa passar um camelo! 

Esse maneirismo não foi, também aqui, mal colocado. Antes, propositadamente. E de forma mais sutil: ganhar o mundo inteiro. Que alma seria capaz de ganhar o mundo?

Conquanto a alma não seja capaz de ganhar o mundo, cabe na alma humana, a ambição de querer ganhar todo o mundo.

Que alma, se pudesse, não ganharia o mundo? Só consigo pensar naquela que se recusou a pular do pináculo do Templo. E não o fez porque tinha a Cruz em mente: vivia à luz da Cruz, antes mesmo de morrer nela.

Na minha leitura, os textos são paralelos. A matéria do episódio da tentação de Jesus era mesmo esse: em que o mundo era-lhe oferecido.

Mas por que isso seria, para Jesus, uma tentação? Onde estaria o elemento atrativo? O fim, para qual veio, não era mesmo este que estava sendo oferecido – atrair as pessoas? A tentação reside exatamente aí: no meio proposto. E como ele venceu essa tentação? Escolhendo o modo correto: o modo da Cruz. Até o Messias teve sua alma em jogo! E agente só perde a alma por uma alienação consciente e interna: no exemplo, quando a entregamos às ambições.

Ganhar o mundo é, possivelmente, uma tentação mais própria para os corações que começam no bem. É uma tentação para o que traz no peito uma genuína vontade de transformar o mundo. Quanto mais uma alma almeja melhorar o mundo, mais ela pode ter esse tipo de tentação.

"Ganhar o mundo" pralém de qualquer triunfalismo e imperialismo, é, certamente, uma síndrome do Messias. É quando o evangelho conforme o vemos, tem demandas pesadíssimas, desumanas: que tenta ser o 'messias' que o Cristo não foi. Já ouvi um pastor dizer com certa satisfação que passa quase 300 dias no ano fora de casa e longe da família, viajando, pregando. Onde sobra alma num processo desses? Onde a alma de marido? Onde a alma de pai?

O Cristo da Cruz pergunta: que adianta ganhar o mundo todo e perder sua própria alma?

A irrealidade com que Jesus pesa essa ambição - "uma que quer ganhar o mundo" - penso, é para que seu caráter irreal não seja esquecido. Agente não só perde a alma ambicionando ganhar uma coisa grande como o mundo
. O que ele está falando é do interior, do caminho da cobiça, do que almeja ganhar. É do processo. Um processo cujo custo é a própria alma. É como se ele dissesse: os que empreendem ganhar o mundo, não o conquistará, mesmo que o conquiste! O ser que tem o mundo, já não é o mesmo. Ele perdeu a alma no processo. Essa ambição desintegra o ser.

E o que é perder a alma? Ter o ser dissolvido, é perder-se de si mesmo, é perder a identidade mais essencial. A reflexão sugerida é o que é, , por exemplo, para um pastor, perder a alma? E como um pastor, pode vir a perder a alma?

Jesus disse uma coisa: onde estiver o seu tesouro, ali estará o seu coração. Nós conhecemos os homens pelas ambições do seu coração.

É muito fácil ter o coração desviado nesses tempos em que os pastores pulam do pináculo do Templo (lembre-se: essa é uma tentação para os bem motivados), isto é, aceitam meios que não são os do Evangelho, aceitam meios que não foram os de Jesus. O Messias fez a escolha eterna: o modo da Cruz. O Rei e Senhor será lembrado, antes de tudo, pelo seu modo.

Agente vence essa tentação seguindo o nosso Senhor, também em sua maneira de caminhar. Tendo o coração atravessado pela Vontade do Pai: um coração na cruz. É bebendo desse mesmo cálice até estarmos fartos e satisfeitos. Vencemos a tentação de transformar pedra em pão, se a nossa comida é fazer a vontade do Pai. Isto é, vencemos se somos realizados no Evangelho!

E como não ser realizado no Evangelho de Jesus? Leia:

Também o reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido num campo, que um homem achou e escondeu; e, pelo gozo dele, vai, vende tudo quanto tem, e compra aquele campo.

Outrossim o reino dos céus é semelhante ao homem, negociante, que busca boas pérolas;

E, encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo quanto tinha, e comprou-a.

O Rev. Caio Fábio escreveu: “Evangelho é achar o tesouro que nos evangelhos é uma parábola!”.

Portanto, meu irmão, a minha oração mais sincera é que seu tesouro esteja no Evangelho! Realizado em Deus. Preenchido pelas ambições certas: àquelas, que, por exemplo, orando no secreto, espera do Pai uma recompensa.

Olha o que Paulo diz: "homens cuja mente é pervertida e privados da verdade, supondo que a piedade é fonte de lucro. De fato, grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento". Perceba: o signo do lucro e da recompensa do evangelho é diferente, é de uma outra natureza. Pois é como a natureza do Recompensador: não atrai mercenários. A torta do céu não é uma torta muito cobiçada pelos homens.

Na direção daquela coroa incorruptível, corra como se só um alcançasse. Como se só um fosse ouvir: servo bom e fiel. E esta é mesmo uma "corrida" que se corre permanecendo fiel. 

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