segunda-feira, 12 de setembro de 2011

CIGARRAS I



A Cigarra e a Formiga

A Cigarra e a Formiga é uma das fábulas atribuídas a Esopo e recontada por Jean de La Fontaine:

    Tendo a cigarra cantado durante o verão,
    Apavorou-se com o frio da próxima estação.
    Sem mosca ou verme para se alimentar,
    Com fome, foi ver a formiga, sua vizinha,
    pedindo-lhe alguns grãos para aguentar
    Até vir uma época mais quentinha!

    - "Eu lhe pagarei", disse ela,
    - "Antes do verão, palavra de animal,
    Os juros e também o capital."

    A formiga não gosta de emprestar,
    É esse um de seus defeitos.

    "O que você fazia no calor de outrora?"
    Perguntou-lhe ela com certa esperteza.

    - "Noite e dia, eu cantava no meu posto,
    Sem querer dar-lhe desgosto."

    - "Você cantava? Que beleza!
    Pois, então, dance agora!" 


Tradução de Bocage

    Tendo a cigarra em cantigas
    Passado todo o verão
    Achou-se em penúria extrema
    Na tormentosa estação.

    Não lhe restando migalha
    Que trincasse, a tagarela
    Foi valer-se da formiga,
    Que morava perto dela.

    Rogou-lhe que lhe emprestasse,
    Pois tinha riqueza e brilho,
    Algum grão com que manter-se
    Até voltar o aceso estio.

    - "Amiga", diz a cigarra,
    - "Prometo, à fé d'animal,
    Pagar-vos antes d'agosto
    Os juros e o principal."

    A formiga nunca empresta,
    Nunca dá, por isso junta.
    - "No verão em que lidavas?"
    À pedinte ela pergunta.

    Responde a outra: - "Eu cantava
    Noite e dia, a toda a hora."
    - "Oh! bravo!", torna a formiga.
    - "Cantavas? Pois dança agora!"

Fonte: Wikipédia

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