segunda-feira, 31 de outubro de 2011

LUTERO HOJE






Hoje é o Dia da Reforma. O espírito de todo o movimento, assim foi sintetizado:

Só a Graça! Só a Fé! Só Cristo! Só as Escrituras! Só a Deus a Glória!

A Reforma foi um protesto, a reforma foi um retorno.

O acréscimo, isto é, a tradição – que a Igreja Romana via como o caldo de evolução, foi colocado em questão. Mas a idéia não era romper totalmente com a tradição, antes, destilá-la. Na dúvida, não aceite como verdade: era uma purificação cartesiana.

As autoridades – todas, estavam agora, subjugadas à autoridade única das Escrituras. As Escrituras teria sua soberania restabelecida. E o grito teve que ser tão radical quanto se pode dizer com essa partícula “só!”. Só, a priori, é: isso, e nada mais. Mas claro que os próprios Reformadores dialogavam com a boa tradição dos pais da igreja. Mas o tempo exigia esse “só!”.

A Reforma foi um protesto, a reforma foi um retorno. Mas o Tillich ainda diria: a Reforma não pretendeu-se acabada. A Reforma é um princípio: a Igreja sempre se reformando. Era o princípio protestante.

Desde lá, a Igreja viveu muitas outras fases. O princípio se perdeu. A tradição, o intercâmbio cultural, a assimilação acrítica – tudo isso – acumularam-se “à Fé, à Cristo, às Escrituras, à Graça”. É preciso, por isso, novamente dizer: Só!

Cristo basta!

A fé é plenamente eficaz!

As Escrituras são suficientes!

A Graça banca tudo!

E essas “fórmulas” perdem-se facilmente com qualquer acréscimo. 


Graça + “algo mais”, resulta em alguma coisa diferente da Graça.

Fico pensando numa nova forma da Reforma. Isto é, como ela se expressaria hoje. Depois de um tempo apreendendo do espírito de Lutero através de leituras de algumas de suas obras, arrisco, breve e amadoramente, esboçar pequenas variantes de suas teses.

   

Lutero Hoje

I
Pregam futilidades humanas quantos alegam que no momento em que a moeda soa ao cair na caixa a alma se vai do purgatório.
LUTERO, 27ª Tese

I PARÁFRASE - "Pregam futilidades humanas quantos alegam que, ao ressoar o dinheiro no cofre, Deus se torna, então - e só assim, benevolente".
II PARÁFRASE - "Eles pregam que sua fidelidade como crente em Deus é reconhecida ao fazer ressoar o dinheiro no cofre".

III PARÁFRASE - "Eles pregam, e assim fazem ressoar o dinheiro no cofre".

IV PARÁFRASE - "Eles reduzem a fé aos termos e cifrões do cofre".  

V PARÁFRASE - "Eles pregam o que for, para fazer ressoar 900 REAIS no cofre".

VI PARÁFRASE - "Eles pregam que se você fizer ressoar um mês do seu aluguel no cofre deles, aí Deus vai perceber que você não tem casa própria e vai te dá uma".

‎‎ VII PARÁFRASE - "Eles pregam que quanto mais moeda você fizer ressoar no cofre deles, mais você terá de volta".

VIII PARÁFRASE - "Eles pregam que Deus é fiel na medida da sua fidelidade. E que a sua fidelidade é fazer ressoar a moeda no cofre. Mas o Evangelho ensina que Ele é fiel por amor ao Nome Dele. E que permanece fiel, ainda se formos infiéis. O Evangelho diz: Deus é bom. Eles pregam: Deus é um bancário".

II
Os cristãos devem ser ensinados que quem ver uma pessoa necessitada, ao invés de ajudá-la, usa seu dinheiro para uma indulgência, não obtém uma indulgência do Papa, mas o desprazer de Deus.
LUTERO, 45ª Tese

I PARÁFRASE – “Os cristãos devem ser ensinados que quem ver uma pessoa necessitada, ao invés de ajudá-la, usa seu dinheiro para o TRI-DÍZIMO, não obtém uma chuva de benção dos céus, mas o desprazer de Deus”.

III
‎"Por que o Papa não esvazia o purgatório por amor... pois afinal, ele libera incontáveis almas por dinheiro"
LUTERO, 82ª Tese

I PARÁFRASE - "Por que pregar por amor, se o negócio dá dinheiro? (Os "pregadores" parafraseando a Tese 82 de LUTERO)

IV
Johann Tetzel, que revidou as teses de LUTERO, disse: “os cristãos devem ser ensinados que o Papa, por autoridade e jurisdição, é superior a toda a Igreja Católica e seus conselhos, e que eles devem obedecer humildemente seus estatutos”.

PARÁFRASE MODERNA - “Os cristãos devem ser ensinados que o (Papa/Pastor/Bispo/Apóstolo/Pai-póstolo/Patriarca), por autoridade e jurisdição, é superior a toda a Igreja e seus conselhos, e que eles devem obedecer humildemente seus estatutos”.

V

A REFORMA ensina: SÓ AS ESCRITURAS. Os pastores proclamam: a LEI sou EU.

A REFORMA ensina: SÓ AS ESCRITURAS é autoridade sobre todos. Mas cada gueto gospel tem seu pequeno déspota: inquestionável, absoluto, sem rival, ungido intocável, unânime, e infalível como o Papa.

A REFORMA ensina: SÓ CRISTO. Mas acrescentaram: a rosa, o sal, o celular, o lenço...

A REFORMA ensina: SÓ A FÉ, mas alguns pregadores dizem: a fé é atitude! E explicam: Dê um passo de fé, isto é, uma nota ($) de fé. Dizem: fé se mede pelo dinheiro que se doa à igreja.

A REFORMA ensina: SÓ A GRAÇA, e os pregadores entendem que são palhaços autorizados.

  

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