terça-feira, 22 de novembro de 2011

REFORMA HOJE: O Juízo da Reforma sobre os "apóstolos"





Em uma época como a nossa em que qualquer cristão tem conhecimento do grego, e em que todos possuem e usam as anotações desta luz teológica chamada Erasmo não é necessário explicar o significado do vocábulo grego "apóstolo", exceto aos leitores - não de Erasmo, mas os meus.

Apóstolo, pois, significa o mesmo que "enviado"; e como nos informa São Jerônimo, é um termo ou conceito dos hebreus que no idioma deles é SILAS, isto é, um homem em que se aplica o nome "ENVIADO", do verbo 'enviar'. Assim se lê também em João cap. 9 (v. 7): "Vê e lava-te no tanque de Siloé (que traduzido é, Enviado)"; e Isaías, conhecedor deste significado oculto, disse no cap. 7: "Este povo desejou as águas de Siloé, que correm mansamente". Mas já em Gênesis 49 (v. 10) lemos: "Até que venha Siloh", o que Jerônimo traduziu: "O que deve ser enviado". É à base deste texto que Paulo chama a Cristo "apóstolo", é dizer, um Silas, em sua carta aos Hebreus (He. 3: 1). Também Lucas no livro dos Atos menciona um Silas.

Mais importante que isto tem o fato de que "apóstolo" é um título modesto, mas - coisa que é de admirar- às vezes também elevado e venerável, um nome que expressa notável humildade temperada com grandeza. A humildade em que o apóstolo é um enviado se manifesta em sua relação de dependência, servidão e obediência, e impede que alguém se deixe seduzir por este nome como por um título honorífico, para depositar nele sua confiança e gloriar-se nele. Antes, o apóstolo, pelo mesmo nome de seu ofício como "enviado", deve sentir-se dirigido por aquele que o envia - de quem procede a majestade e proeminência do enviado e servo e faz com que seja recebido com reverência.

Quão distinta é a situação em nossos dias em que os nomes de “apóstolo”, “bispo” e outros chegaram a significar paulatinamente não um serviço mas uma dignidade e autoridade! A tais pessoas Cristo lhe dá, em João 10 (v. 8), o nome oposto: em vez de “enviados” os chama “homens que vieram”, em outras palavras - de forma mais clara ainda, “ladrões e salteadores”, porquanto em lugar de trazer a palavra do que os envia com o encargo de apascentar com ela as ovelhas, não buscam senão seu próprio benefício – e em função do qual sacrificam as ovelhas. “Todos os que vieram", disse Cristo, isto é, todos os que não foram enviados, “são ladrões e salteadores”: O mesmo expressa o apóstolo em Romanos 10 (v. 15): "Como pregarão se não forem enviados?” Em efeito: quem pode pregar a menos que seja um apóstolo (um enviado)? Quem é um apóstolo senão o que traz a palavra de Deus? E quem pode trazer a palavra de Deus senão aquele que tem prestado ouvidos a Deus? Mas ao que vem com ensinos de seu próprio conselho, ou extraído dos filósofos, podemos chamar de apóstolo? De maneira nenhuma, senão que é um homem que vem por conta própria, um ladrão, um salteador, um destruidor e assassino das almas. Em Siloé o cego se lava e recupera a visão (Jn. 9: 7); as água de Siloé são saudáveis, não as águas impetuosas e orgulhosas do rei da Assíria (Is. 8:7).

"Ele (é dizer, Deus) enviou sua palavra, e assim os curou” (Sal. 107: 20). Mas vem o homem com sua própria palavra e faz com que o fluxo de sangue se agrave 2). Isto significa, para dizer com toda clareza: cada vez que se prega a palavra de Deus, esta produz consciências alegres, abertas, tranquilas diante de Deus porque é a palavra boa e doce da graça e da remissão; Por sua vez, cada vez que se prega a palavra de um homem, esta produz uma consciência triste, fechada e temerosa, porque é a palavra da lei, da ira e do pecado, que mostra ao homem tudo o que ele deixou sem fazer e toda a enormidade da dívida que contraiu.

Por isso, desde seu início a igreja jamais se achou em uma situação tão desafortunada como agora, e esta situação piora dia a dia. 


Traduzido para o português por: Eric Brito Cunha

[COMIENTARIOS DE MARTÍN LUTERO - 
CARTA DEL APÓSTOL PABLO A LOS GÁLATAS. 

Traducción al castellano: Erich Sexauer]

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