domingo, 4 de dezembro de 2011

CONFIANÇA






Na hora de tentar libertar um cão de uma armadilha, extrair um espinho do dedo de uma criança, ensinar um menino a nadar ou salvar alguém que não sabe, conduzir um principiante assustado a locais perigosos nas montanhas, o único obstáculo fatal talvez seja a desconfiança deles. Pedimos que confiem em nós, desafiando seus sentidos, sua imaginação e sua inteligência. Estamos pedindo que creiam que o que é doloroso aliviará seu sofrimento e o que parece perigoso é a sua única salvação. Pedimos que aceitem aparentes impossibilidades: que o mover a pata de volta para a armadilha é a única maneira de sair, que machucar muito mais o dedo acabará com a dor, que a água, inegavelmente permeável, resistirá e suportará o corpo, que se agarrar ao único apoio ao seu alcance não é o jeito de evitar o afogamento, que subir um pouco mais até uma saliência maior é o caminho para não cair. Para explicar todas essas incredibilidades, podemos contar apenas com a confiança do outro em nós, uma confiança certamente sem fundamentos aparentes, claramente prejudicada pela emoção. E, talvez, se formos estranhos a eles, não poderemos contar com nada além da confiança que podem transmitir a expressão de nosso rosto e o tom de nossa voz ou, no caso do cão, nosso cheiro. Às vezes, por causa da incredulidade, não conseguimos grandes coisas. Mas, se tivermos sucesso, será porque acreditaram em nós, contra todas as evidências. Ninguém pode nos culpar por pedirmos essa fé. Ninguém pode culpá-los por tê-la. Ninguém vai dizer depois que o cão, a criança ou o garoto foram tolos por confiarem em nós [...]. Ora, aceitar proposições cristãs é acreditar ipso facto que, para Deus, somos o que o cão, a criança, o banhista ou o montanhista foram para nós, mas em grau muito maior.

C. S. Lewis 

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