domingo, 18 de dezembro de 2011

O LUGAR






Conta-se de um lugar que não tinha endereço. Há lugares e lugares. Há lugar que agente chega, vai quando quer. Mas há àquele lugar de onde não se sabe. Dizem que nele, tem uma bota com trinta moedas. E um guarda-roupa feito de pé de maçã. Quem já esteve, não sabe voltar. E, talvez, lá no fundo não o queira. Embora viva achando que quer. É a magia do lugar...  

Sim, é um lugar quase mágico, mas bom como sorvete. Com regras próprias, mas muita liberdade. Há cartolas e há coelhos. Há o truque conhecido, que sempre surpreende. E há o desconhecido, que às vezes dá sono. O sono ruim: porque há isso de sono bom.

As regras criam espaço para a mágica. A magia cabe na exceção. Há uma regra muito peculiar: nesse lugar o tempo passa diferente. O que é bom passa ligeiro. Mas seja como for – passa. E você não vê passando: você vê que passou. Mas demora: parece nunca acabar. É ligeiro, mas demora. É assim mesmo. É uma piscadela da eternidade. E a indescumprível regra do tempo é que tudo faz parte da Brincadeira: o dever de casa não interrompe o jogo. Tudo tem gosto de graça.

O lugar é um vapor de alegria!

Quem não esteve nesse lugar? Mas nesse mundo torto, o pinto nasce de chocadeira. A fruta amadurece com remédio. Onde se conceberia – alguém que não fora platéia do mágico? Mas hoje há esse espécime. Não se encontraram com a raposinha...

Diz-se que este lugar sem trajeto certo, sem coordenadas fixas, o qual ninguém chega querendo chegar – é um lugar que se acontece. Quem quer ir, não chega. Mas ele chega pra gente. E quem nele está, não quer sair. Mas é um querer não sofrido. Que não se sabe que será frustrado. Agente sai que nem percebe. Mas aí não termina o mistério, mas ele só cresce. O lugar melhora quando agente sai. Como pode? Mistério! É a magia do lugar...

O lugar que não se chega, do qual não se quer sair, que não se quer nem se pode voltar, e que melhora quando agente sai...

Tudo magia!

Dessa cartola sai coelho, mas também sai raposa. Raposinhas das nossas lembranças. O lugar enfeitiça... cria laços que não se desfazem...

Tudo lá tem um quê de magia... uma liberdade a mais! É um lugar de onde era mais fácil chegar a outros. Era um lugar para lugares. Um portal. Mas dos lugares que por ele se podia chegar, tem um de onde não se sai. É magia mais pura: agente não fica nele, ele que fica na gente.

Esse lugar tem cor de trigo!


Por: Eric Brito Cunha
Itabuna-BA, 17 de Dezembro de 2011

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