quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Uma Criança e seus COLEGAS-MACACOS - Teoria da Evolução






Na primeira série do ginásio - quando eu era novo demais para ter algum dogma, ou alguma causa, ou algum "lado" para defender, e velho o suficiente para já ter o bom senso, foi quando fui exposto pela primeira vez à teoria da evolução. 


No momento, minha inclinação era acreditar nela: porque, com o excesso de bom humor que eu tinha, era tudo o que eu queria para dar suporte a minha tese de que alguns colegas pareciam, de verdade, com macacos. 

Pareceu-me, a princípio, uma teoria divertida...

A ciência podia esperar, a piada não. 

Mas passado o período de graça - que era raro, embora nunca tenha cessado a suspeita da veracidade de minha tese, algo parecia fantasioso, e até um contra-senso naquela teoria.

Algo na própria teoria parecia não científico, e até anti-científico. 

E havia algo festejado demais como uma descoberta para o que, para nós estudantes, era um velho conhecimento: que os mais fortes é que sobreviviam. 

Como não saber disso sofrendo o risco anual de perder o ano e ficar para trás? Ou mesmo tendo levado muito cascudos dos mais velhos e dado muitos outros nos mais novos?

Além disso, eu era treinado demais na imaginação para não saber reconhecer seus produtos, ainda que sob a fachada de uma teoria adulta, séria, culta, realista e científica. 

Como explicar aqueles estranhos formatos de cabeças que alguns de meus colegas tinham - e que me remetia aos macacos? Eu era criança demais para não saber fazer associações criativas. Nessa empreitada, descobri que alguns argumentos evolucionistas eram altamente reutilizáveis. Por isso que, para minha mente infantil, bem humorada, piadista e desenhista, a teoria de Darwin era muito divertida.

Sem rigor filosófico e lógico, sem iniciação científica, e nu de dogmas, eu conseguia ver um contra-senso. 

Que era uma teoria imaginosa, um avatar de criatividade, bem, quem não sabia? E que as peças do quebra-cabeça eram impressionantes, isso também era bastante óbvio. 

Novo era o tamanho do quebra cabeça que alguém estava supondo desvendar. O título sugere: A origem das espécies. 

Os meus próprios quebra-cabeças apenas tinham graça - eu supunha, porque eram menores que a minha cabeça. Em outras palavras, eu poderia contemplá-lo todo, uma vez montado. E quase tão importante: eu devia ter alguma familiaridade com as imagens para poder montá-las, uma idéia geral – a priori - do cenário. Montar um quebra cabeça só através dos formatos dos encaixes, embora bem mais difícil, acredito ser possível. Mas era algo tão impróprio da brincadeira que se quer algum dia passou por minha cabeça tentar. É nessa pretensão que a teoria perdia a agradabilidade, ganhava contornos sérios. 

Alguém tentara montar um quebra-cabeça maior que bilhões de cabeças, cujas peças - a maioria, já não estavam ali, sem nenhuma porção razoável de familiaridade ou da idéia de todo o cenário, da forma mais sem graça possível: através dos encaixes. Darwin, no fim, não mostrou saber brincar. E até hoje é difícil para eu ler uma obra com o título "A origem das espécies" de alguém tão supostamente sério e objetivo, e muito pouco brincalhão.

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