domingo, 26 de fevereiro de 2012

ORAÇÃO e a ordenação do mundo interior





4.1 De onde vêm as guerras e discórdias que há entre vós? Será que não vêm dos prazeres que guerreiam nos membros do vosso corpo?
4.2 Cobiçais e nada conseguis. Matais e invejais, e não podeis obter; brigais e fazeis guerras. Nada tendes porque não pedis.
4.3 Pedis e não recebeis, porque pedis de modo errado, só para gastardes em vossos prazeres.
4.4 Infiéis, não sabeis que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, quem quiser ser amigo do mundo se coloca na posição de inimigo de Deus.
Tiago 4:1- 4

De onde vêm as batalhas e os desentendimentos que há entre vós? Da falta de paz interior, isto é, da guerra que há dentro de vocês. Das desordens do seu coração.
Do desejo mal orientado, desproporcional, da falta de contentamento com o que se é ou tem: o que gera cobiça e inveja.
Dessa forma, até quando se consegue o almejado, não realiza.
“Mata” e “se mata” para conseguir: por que, simplesmente, não Me pede?
Só me pedem a fim de Me fazer garçom de Suas invejas. A oração, para vocês, está a serviço da cobiça. Nem orando se livram dela!
Isso é sinal de um coração infiel! De quem não conhece a Quem se está pedindo. Seus pedidos mostram de quem são amigos. São amigos do mundo, porque seus pedidos são conforme os valores do mundo. O verdadeiro amigo de Deus não deseja com descontentamento.
Minha PARÁFRASE

Essa porção do texto de Tiago – toda ela - é sobre a oração. O tema é a oração quando, no versículo 1, ela fala das desordens interiores e suas conseqüências nas relações. No versículo 2, a oração é o caminho apontado para se conquistar saúde na alma. No versículo 3, é dito que a oração tem uma dignidade: há coisas que não é conveniente pedir a Deus. Até o versículo 4 é sobre a oração. Pois é sobre ela que Tiago vinha falando quando, então, fala sobre a “amizade” com o mundo. Ora, amizade com o mundo é a caracterização de quem, em seus pedidos, mostra o desejo pelo mundo.

Antes do capítulo 4, Tiago vinha falando em PAZ: quando ele fala em guerra, ele não tinha em mente as guerras entre as nações, mas os desentendimentos entre pessoas. E traça a raiz de tais batalhas na desordem interior, num desequilíbrio de alma. Esses são os termos que ele utiliza: “prazeres que guerreiam em vocês”, “cobiça”, “inveja”, “prazeres”.

Ora, PAZ é uma qualidade de relação com Deus. E a temos quando estamos em sintonia com Deus. Por isso, a oração é apontada como o caminho para essa paz, para essa sintonia. A oração se pretende uma reciclagem dos desejos da alma. Uma purificação do coração. Pois oração é estar com Deus, conviver com Ele, logo, assimilá-Lo.

O convívio com Deus é, pois, o caminho para a alma humana alcançar Saúde. Qualquer que seja a doença da alma. Tiago diz que a alma doente - insegura, ansiosa, medrosa, depressiva, auto-depreciativa, auto-comiserável - é causa da violência e desarmonia entre os homens.

Na oração há paz. E o conceito judaico para a paz completa é shalom. Paz é bastança, e o reflexo disso na alma humana é contentamento.

A inveja e a cobiça é um sintoma de uma alma descontente.

Essa paz, isto é, esse contentamento, diz Tiago: é fruto da alma que sabe que o que é e o que tem, é dado por Deus. Por isso exorta: “Nada tendes porque não pedis”.

Esse entendimento torna sem sentido as batalhas: por que guerrear, se, o que se quer, se sabe que é dado por Deus?

E essa é a exata expressão da correção: até matam para conseguirem o que querem, quando tudo está disponível, à distância de uma oração!

Diz mais o texto: “Pedis e não recebeis, porque pedis de modo errado”. Nem toda “oração” é uma oração. Orar, como dissemos, é apreender de Deus.  E a condição essencial de toda oração se encontra em I Jo. 5:14: “Se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve”.

E Tiago segue desenvolvendo a idéia que ensina que aquilo que desejamos diz muito sobre quem somos.

Esse pedir “de modo errado” é uma manifestação da nossa infidelidade: “Infiéis, não sabeis que a amizade do mundo é inimizade contra Deus?”

Por um lado, o texto nos adverte a refletir sobre aquilo que pedimos a Deus, sobre os desejos do nosso coração. Por outro, nos estimula e conforta: pois a amizade com Deus está na causa do “pedir bem”. O amigo de Deus – e só esse, é o que “pede bem”. E só se pede bem: tornando-se amigo de Deus. E o caminho para tal relação é a oração.

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