domingo, 19 de fevereiro de 2012

QUAL É O FRUTO DA ORAÇÃO?





Para alguns, a oração frutífera é aquela que dá resultados, isto é, que é respondida.

E a idéia é que o significado da oração é subtraído e reduzido a pedir.

"Ao que bate...", diz-se, querendo dizer: você quer? Insista!

MAS DIZ A BÍBLIA: que lhe será dado o Espírito Santo. E ponto.

Diz mais claramente: "não oreis como eles", isto é, ansiosamente. Como quem não sabe a Quem se pede. Como quem tem que ganhar no jogo de cintura, naquele jeitinho brasileiro de negociar, de convencer, de levar na lábia e ganhar na manha. Repetindo inutilmente, achando que por essa insistência serão atendidos.

Antes: saiba do Pai, que Ele sabe o que você precisa. E ponto. 

A oração não é uma barganha. Deus não precisa ser informado, convencido, ou comovido. Deus é Pai. E Deus sabe.

Diz-se também: perseverai na oração, como quem diz: peça sem desistir, até conseguir.

E A BÍBLIA DIZ mesmo, nas cartas por várias vezes: para perseverarmos na oração. Mas como quem diz: a oração é o meio de se ESTAR COM DEUS, de se expor a Ele, de ouvi-Lo.

O título de um livro sobre oração da Editora Vida Nova é sugestivo: “O poder de uma vida de oração”.

Observe: a atenção é trazida para os efeitos da oração no que ora. E aqui, penso, entramos numa perspectiva mais bíblica.

Diz CALVINO: UNICAMENTE PELA MEDIAÇÃO, E UNICAMENTE PELO NOME DE CRISTO, NOSSA ORAÇÃO É ACEITÁVEL DIANTE DE DEUS. 

Bonhoeffer ensina:

Toda oração verdadeira é oração mediada. Nem mesmo na oração há acesso imediato ao Pai. Somente por meio de Jesus Cristo podemos, na oração, encontrar o Pai. O pressuposto para orar é a fé, a comunhão com Cristo”.

E ainda o Calvino sobre isso:

“A primeira regra em toda oração consiste em apresentar-se a Deus em nome de Cristo, pois neste nome ninguém pode ser-lhe desagradável. Detrás dos passos de Jesus podemos aproximar-nos a Ele confiadamente, tendo plena certeza de que não será rejeitado nada do que peçamos em nome deste Intercessor, pois o Pai não pode negár-lhe nada”.

A oração, portanto, pressupõe comunhão, relação, acesso, presença. E aqui está o verdadeiro “poder da oração”.

Perseverar na oração é estar com Deus o tempo todo!

Também diz o reformador:

[A ORAÇÃO] É O PRINCIPAL EXERCÍCIO DA FÉ E MEDIANTE A QUAL RECEBEMOS DIARIAMENTE OS BENEFÍCIOS DE DEUS.

E meditando sobre o fruto da oração, Ele fala sobre a Presença de Deus.

Esse é o estímulo: orar para estar com Deus. E, os benefícios decorrem disso, quando vamos sendo transformados conforme Ele. E isso, em grande quantidade dos casos, é ter nossos pedidos mudados.

O Papa Bento diz uma coisa acertada: expondo um texto escriturístico (que diz que o pedido que é conforme a Sua vontade, Deus atende), diz que devemos aprender a orar conforme Cristo. “Pedir-Lhe o que seja digno dEle”. Mas devemos, igualmente, orar para nos conformar a Cristo.

Não orar para fazer valer a nossa vontade. Mas orar para apreender a Vontade de Deus.

Uma canção que gosto muito, diz “Tu ouvirás o desejo do meu coração, se eu Te buscar”. Mas uma sutil correção que proponho é: "Tu MUDARÁS o desejo do meu coração, se eu Te buscar..."

Essa é a síntese do NT, conforme claramente expressou João: "E esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa SEGUNDO a sua vontade, ele nos ouve".
O salmista já dizia: "Deleita-te também no SENHOR, e ele te concederá o que deseja o teu coração". Contudo, na minha perspectiva semi-calvinista, e – suponho - bíblica, Deus está por trás do bem querer (Cf Filipenses 2.13).

Talvez não de qualquer querer, contudo, certamente do pedir bem, que na ideia que Tiago (cap 4) desenvolve está relacionado à amizade com Deus: que, ele mesmo explica, não pode competir atenções com a inimizade com o mundo exemplificada no pedir mal e no mal desejar.
O amigo de Deus – e só esse, é o que “pede bem”.

Assim, penso que seria mais completo dizer que Ele [Deus] concederá o desejo do coração e também o seu realizar. Os bons pedidos são fruto de um coração que conviveu com Deus, e assimilou dEle.

Pedir "em nome de Cristo" não se limita ao aspecto processual da coisa, mas também envolve a natureza do pedido. Pedir em Nome de Cristo é também pedir CONFORME Cristo: conforme Ele pediria.

Isso tudo é orar: estar Diante de Deus, na Sua Presença, com todas as implicações que essa comunicação subentende. Orar não é meramente pedir. É estar com.

Pense nisso!

Eric Brito
Itabuna-Ba, 19 de Fevereiro de 2012

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