segunda-feira, 19 de março de 2012

DEUS na sarça da DOR


       “Ó Deus mui misericordioso, que aperfeiçoas os teus próprios propósitos, desde as primeiras dores desta minha enfermidade, tu vens me lembrando de que um dia morrerei. À medida que a doença assediava o meu corpo, tu me fizeste lembrar de que eu poderia morrer a qualquer hora. 
       Com os primeiros sintomas, tu me acordaste. Continuei a sofrer e isto fez com que eu me prostrasse e evocasse o teu santo nome
       Tu me vestiste com o teu eu ao despir-me do meu ego
   Embotando os meus sentidos para os apetites e prazeres deste mundo, tu estimulaste os meus sentidos espirituais para a compreensão de ti. À medida que o meu corpo se decompõe, Senhor, minha alma é enaltecida em tua direção. Apressa o ritmo deste processo. Meu paladar não desapareceu, apenas sentou-se à mesa de Davi para saborear, e para ver, "que o Senhor é bom". Meu estômago ascendeu à ceia do Cordeiro com os santos no céu. 
     Meus joelhos estão enfraquecidos, tão fracos que me ajoelho facilmente e apóio-me em ti... 
       E, ó Deus, que apareceste em chama de fogo na sarça ardente, aparece, eu te peço, no meio das sarças e espinhos de minha cruel enfermidade, de maneira que eu possa ver-te e reconhecer-te como o meu Deus, dirigindo-se a mim, mesmo nestes dias lancinantes e espinhosos. 
       Atende-me, ó Senhor, por amor do teu Filho, que não deixou de ser o Rei dos céus pelo fato de tu permitires que ele sofresse ao ser coroado com os espinhos deste mundo.” 

JOHN DONNE

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