quinta-feira, 5 de abril de 2012

CONHECIMENTO E DOR EXISTENCIAL



 "Porque na muita sabedoria há muito enfado; e quem aumenta ciência aumenta tristeza" 
(Eclesiastes 1.18 )



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O mundo está constituído de tal forma que quem o compreendesse a fundo poderia ser precipitado num abismo de tristeza. E no fim dos tempos, ocorrerá o domínio universal do mal. Tomás de Aquino ensina que o dom da ciência (que permite conhecer o que é este mundo) corresponde à bem-aventurança: "Bem-aventurados os que choram...".
Quem pensa nisto pode muito bem verter lágrimas e cair na mais profunda depressão; depressão que, aliás, não tem porque ser considerada "infundada" ou "sem objeto", uma vez que a criatura procede do nada.
Mas a criatura é também - para além de qualquer medida concebível - tão intensamente mantida na existência pelo Amor de Deus que, quem considera este fundamento e sabe reconhecê-lo, pode facilmente ser invadido pela alegria (também aparentemente "infundada" e efetivamente não causada por nenhum motivo externo próximo e determinado). Uma alegria tão arrebatadora que, pura e simplesmente, extravasa a capacidade de recepção da alma". 
Josef Pieper (trad.: J. Lauand e H. Marianetti Neto)

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"O fato é que o existencialismo é muito verdadeiro quanto à tendência à depressão. A vida é fútil. Não conseguimos saber por que estamos aqui. O amor é sempre imperfeito. Etc. Os depressivos vêem o mundo claramente demais, perderam a vantagem seletiva da cegueira".

Andrew Solomon, autor de "O demônio do meio-dia - uma anatomia da depressão". 

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