quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Felicidade...



Felicidade, uma brisa que passa
(Título do artigo de meu amigo Rovilson Ribeiro, ao qual respondo)




A felicidade é brisa. Ela é passageira, não se demora e é indomável. Não se deve buscá-la: a brisa nunca foi meta. A brisa é dadivosa. Ela é o bom indevido. Ela é passageira: mas o que é o tempo quando se está nela? Só percebemos que ela é curta quando ela se vai: é a espera que olha o relógio.
Essa é a boa maldição do efêmero: a cruz da morte do que é bom põe fim na brincadeira quando estamos no melhor dela. Não é que não valha à pena: é porque dói quando acaba. E acaba. Ela passa.
Felicidade? Falais baixo: que logo ela se vai...
Que dor!
Mas a brisa volta. Ela volta. Mas não sabemos quando. Na verdade, não sabemos nem SE: mas o que é o saber? Estamos é falando de felicidade!
Ah, brisa, tudo te lembra! Como viver na tua falta quando tudo tem cheiro de café com cravos? Sua ausência é do tamanho de tudo! Tudo é dourado como a cor da nossa saudade!
Tu brisa, indomável, me visites! Do sempre que quero: peço apenas uma vez mais! Uma vez mais: é natal! É o dia das cores de nosso encontro.
É natal: Árvores, luzes e enfeites: que dor!
Dor do fogão à lenha, das mãos ligeiras e sempre ocupadas: é enorme a variedade de carinhos escondidos em bolos, cocadas e demais doces. Muitas guloseimas para adoçar a ceia daquele intenso movimento de crianças e adultos-crianças. Sim, porque ao redor dAquela brisa todos são como crianças.
Mãos sábias, incansáveis, acolhedoras, zelosas. Mãos pesadas em cuidados. Mãos que apontam, amassam, orquestram. Mãos que costuram a linha que a todos nós perpassa, e une, e liga, e dá significado. E o fogo que alimenta a ocasião é ele alimentado – é preciso deixá-lo aceso! Mas para quê, sem àquelas Mãos? Sem àquela Mãe-Mão?
O fogo tudo queima e desfaz, e lembra! E ajunta! E sua chama arde e dói. E sobre seu crepitar, uma brisa invisível atua. Ao redor dele, aquele tudo-de-criança: o alimenta e não deixa morrer. A Esperança é chama poderosa. Que “ruim” que foi tão bom!

Eric Brito, Itabuna, Novembro de 2012

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