sábado, 6 de julho de 2013

E por falar no Céu...







"A cidade não precisa nem do sol, nem da lua, para lhe darem claridade, pois a glória de Deus a iluminou, e o Cordeiro é a sua lâmpada".

Nós, cristãos, originalmente somos herdeiros da tradição oral - Mesa, Memórias e histórias.

Mas a tradição protestante sofre com a maldição do papel e do texto!

Contadas, as histórias ganham vidas. 

Expostas e explicadas, os textos não dizem muito.

Estive em Iguaí em Junho, terra onde tenho muitas histórias. E na companhia de bons contadores de histórias, sob o calor de fogueiras e na inspiração de ventos e da noite.

Exegese, digamos, é gramática. E a Bíblia é tão cheia de poesia...

Esse assunto do céu, e os termos da nossa esperança e da Vida, carecem de menos púlpito, ou de exposições "anatômicas".

É assunto para histórias ao pé de fogueiras...

Em outras palavras, o que quero dizer é que: não tem nada de abrir o texto, e pregar. Tem haver de, uma vez dominado a gramática, falar de uma esperança íntima. Falar com subjetividade. “Ele em mim...” (não seria “revelação”?).

Sim, alimento imagens de como será que se alimentam de como eu sei que Ele É.

Eu alimento algumas pistas sobre o Tudo...

Todos têm segredos: os compartilháveis e os que são só nossos.

Veja o capítulo Céu, de O problema do sofrimento. 

As histórias nos alimentam e se alimentam de nós: e isso é “revelação” de Mesa. 

Não pertence a um. Não é só um que fala. 

A História inclui. Produz histórias. 

Todos ouvem.

Isso é um bom, e raro, papo cristão.

Mas o Protestante só repete textos...

Se é uma sensibilidade que ganhei, é essa: não leve o "texto" tão a sério. Especialmente se nele, o que se representa são sons, imagens, visões, cenas...

O que estou dizendo é: o texto é unidimensional. 

É uma foto. 

Não é amplo.

O texto está certo, mas não é tudo.

O Evangelho é a Mensagem: não é o texto.

Ele é Voz, é Presença, é Pessoa, é Verdade.

O que é o Evangelho? É a história/parábola sobre a pérola? Ou são as muitas histórias de pessoas que acharam a “pérola”?

Isaías “viu o Senhor assentado...”, é a foto. Nela, muitas e magníficas verdades.

Mas a foto, como sabemos, não captura tudo. 

As palavras também não. Algumas levam em si grande arcabouço de significados de realidades extraordinárias que tentamos "captar", como é o caso de palavra GLÓRIA.

Veja o sermão PESO DE GLORIA, de C. S. Lewis. Ele escreve:

“As promessas das Escrituras podem, muito por alto, reduzir-se a cinco: em primeiro lugar, promete-se que estaremos com Cristo; em seguida, que seremos semelhantes a Ele; depois — e aqui é extraordinária a riqueza de imagens — que teremos "glória"; em quarto lugar, que seremos alimentados, festejados ou obsequiados; e, finalmente, que teremos alguma posição de destaque no universo — governaremos cidades, julgaremos anjos, seremos colunas no templo de Deus. A primeira pergunta que me surge é: "Não bastaria a primeira promessa?". Será possível acrescentar alguma coisa ao conceito de estar com Cristo? Pois deve ser verdade o que diz um velho escritor: aquele que tem Deus e tudo o mais, nada possui que não possua aquele que apenas tem Deus. Creio que, mais uma vez, a solução está na natureza dos símbolos”.

O Peterson escreveu um artigo fundamental - Apocalipse: o meio é a mensagem. Escreve: 

“É muito impressionante que o novo céu não seja retratado como uma restauração do jardim do Éden, mas como uma nova cidade. A visão pagã do futuro é Éden ou Arcádia — um retorno primitivista a um individualismo descomplicado. Mas a visão bíblica é um aperfeiçoamento da cidade. Esse artifício da sociedade como forma de vida conjunta e consciente é levado a sua expressão máxima, não eliminado ... O agrupamento de casas numa cidade e a construção de uma muralha na cidade criam um senso de grupo e uma inter-relação”.

Como será? 

Não sei, e claro que me pergunto, imagino, suspeito...

Sei umas coisas sobre o amor, que me diz umas coisas sobre Deus. O amor não absorve, não domina, não esmaga, não aniquila... o amor deixa ser, faz ser... Ele nos devolve para nós mesmos e para os outros. Ele é transparente como a luz. Sem Ele, não há alegria. Ele é tudo em todos:

"No fim de sua famosa novela Jounal d'un cerá de campagne, tendo, seguramente, como fundo são Paulo e certamente recordando Santa Teresa de Lisiex, Bernanos resumiu de forma insuperável essa experiência, talvez nem sempre suficientemente explicitada, porém mais geral que parece: "TUDO É GRAÇA".

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