sexta-feira, 14 de março de 2014

O ESSENCIAL sobre a Vida Cristã: em 5 Insights






O ESSENCIAL sobre a Vida Cristã: em 5 Insights


Vós sois a luz do mundo... Vós sois a luz do mundo.


Ler Mateus 5.38-48


I
Se alguém me pedisse para buscar marcas qualitativas que caracterizassem um cristão, eu logo abriria o Sermão do Monte. E, conforme a história da igreja, eu não estaria só: esse sermão é considero o miolo ético dos ensinos de Jesus.
A mensagem do Sermão do Monte é o Seu Pregador, a ética ali presente, a Sua natureza. O fim é ser como Ele. O padrão é os Seus passos: sua vida, atos, ensinos...


II

O teólogo Juan Stam escreveu buscando uma definição de RADICAL: “A definição básica de "radical", segundo o Dicionário Real Academia, é "pertencente ou relativo à raiz" ou "fundamental, de raiz". A pessoa radical vai à raiz das coisas e as leva, sem covardia nem cálculos, até suas últimas conseqüências”.
E, após, admitiu: “Através de minha larga peregrinação venho descobrindo que muitas das sagradas tradições que herdei não correspondiam aos ensinos bíblicos nem as verdades da fé. Venho aprendendo que os tabus fundamentalistas não eram mandamentos divinos absolutos, e que a voz de Yahvéh me vinha exigindo condutas novas, em meio ao mundo e da historia, que nunca me haviam ensinado. Em outras palavras, o evangelho me radicalizou”.
Ser radical é requisito para se discernir o que não é o evangelho.
Para ele, a radicalização no evangelho tem haver em afirmar o evangelho até contra as tradições – geralmente proibições – que se querem fazer passar por implicações do evangelho.
Também da experiência do teólogo, as raízes no evangelho nos amplia a visão para vermos o que, no evangelho, se chama de mal, e para as muitas possibilidades de bem.
Nesse sentido trabalhado pelo Stam, não ser radical é ser, de algum modo, superficial. É se desperdiçar no que é secundário.
E novamente estamos diante da pergunta sobre o que é essencial.


III
Em Gálatas 5 Paulo faz uma lista dos Frutos do Espírito: e todos têm haver com a relacionalidade ou nela tem a melhor de sua manifestação: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade.
A marca, a característica, o fruto do Evangelho, a qualidade cristã de modo inequívoco manifesta-se nas nossas relações. 


IV
Trechos do texto A DIVINA PERFEIÇÃO HUMANA, de Ed Rene Kivitz

A espiritualidade segundo Jesus está no amor que se manifesta nas relações concretas. O caminho de Jesus não é da contemplação metafísica, mas do engajamento relacional. A experiência espiritual cristã implica moral, lei e ética: como reagir a uma violência sofrida, como conviver com o opressor (soldado romano que pratica a extorsão – capa e túnica, e o abuso de poder – obriga a carregar a armadura), como agir e reagir em relação aos inimigos.
A moral cristã se expressa na lei, mas também a excede: Deus ama bons e maus.
A bondade, segundo Jesus, está na capacidade de desenvolver relações que transcendem a moral e a lei: virar a outra face, entregar a túnica e a capa, caminhar duas milhas. Os seguidores de Jesus não ignoram as relações de justiça, mas vivem à luz do valor maior...
O amor segundo Jesus implica a ... incapacidade de praticar a maldade. O maior mal que o malvado pode nos fazer é nos tornar malvados. O coração incapaz de fazer o mal é semelhante ao coração de Deus.
O malvado diante de nós sempre nos interpela com duas opções: ou nos arrasta para dentro de sua maldade ou nos impulsiona a transcender o mal...
Encharcados de amor, somos capazes de sofrer danos sem perder a alma e reagir ao mal sem que o mal se apodere de nós. Para isso, precisamos nos esvaziar de nosso senso de méritos e direitos, nos identificarmos com o mal e os malvados, de modo a sermos libertos daquilo que mantém nosso ego aprisionado: perder as coisas é uma oportunidade de ganhar a alma. Perder bens penúltimos pode ser um caminho para ganhar os bens últimos.


V
Implicações

Em seu artigo, O TEMPO E AS JABUTICABAS, o Rubem Alves ensina através de uma história como a percepção do essencial define nossa agenda e pautas. Ele diz: 

“Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquela  menina que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ela  chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades”.

Por tudo isso, acho os clássicos tabus de igreja evangélica: não fumar, não beber, não dançar, não ir ao cinema (ou não assistir novela), Globo, Disney, Coca Cola, não jogar cartas ou jogos de azar ou apostas, marchas políticas “para Jesus”, não ouvir música “do mundo” - acho tudo isso um extremo reducionismo, um empobrecimento dos conteúdos éticos, uma distorção da identidade cristã, uma negligência aos bons conteúdos cristãos e um incalculável desperdício. 

Se fosse capitular a luz que não se esconde e o sal que salga, ele seria como o “inimigo” e “herege” samaritano que é o herói da história de Jesus porque diante de uma necessidade humana não levanta questões religiosas ou políticas. Ele faz o bem, e nem se identifica. Ele é livre. Ele, diante da tragédia do seu adversário, não tece teses sobre o pesar da mão de Deus ou sobre como Deus estava sendo justo em puni-lo. Ele não teologiza. Ele vê o mal e o condena: sendo bom. Ele sequer é prosélito. Ele está convencido que o bem vale a pena por si. Ele não acabou com a fome no mundo, deu “pão” para o corpo e descanso para alma. Não deixou digital. Ele foi o herói da história de Jesus porque foi como Jesus: ele foi pequeno, ele foi especial no seu cotidiano. Ele não sabe o gosto que dá! Não sabe luz que irradia! Eu queria que no centro das discussões éticas dos cristãos, a justiça de Deus e a expressão do Seu reino fossem a pauta. Mas o léxico evangélico não nega: eles veiculam muito pouco o Reino, e se expressam com um moralismo que não é uma exclusividade desse cristianismo. Aliás, religiões com distâncias históricas se reúnem sob as causas da moral – aborto, homossexualismo... Para mim, esse reducionismo é mais uma forma de perder o sal.

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