quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Bíblia: em busca de uma elaboração teórica



Primeiros passos



                 "Pega e lê: ouvi, cri, por isso li"


Nesse espaço, estarei me esforçando para dar pistas da minha elaboração teórica sobre a Bíblia, na minha identidade evangelical. 

Evangélico, historicamente, queria dizer: nem liberal, nem fundamentalista. Hoje parece que a equidistância originária se perdeu, especialmente por uma aproximação ao polo fundamentalista.

Como evangelical, creio na autoridade das Escrituras por causa de Jesus Cristo. Minha identidade não é com o texto, mas não o prescinde em função de seu testemunho acerca de Jesus Cristo.

"Testemunho", como pretendo trabalhar, é uma palavra adoecida justamente no contexto desse debate teológico. Mas a pronuncio com toda paz.

Como evangelical, logo cedo percebi que o ambiente intelectual do evangelicalismo brasileiro é majoritariamente anti inteclecutal. Ou é racionalista. 

"Nem liberal, nem fundamentalista", quer dizer: não formulo minha crença conforme o MODERNISMO.

Hoje podemos dizer que já estamos conscientes da infidelidade e distorção por trás do modo de expressar a crença nos termos do modernismo.

E só para clarear um pouco mais:  um "deus" do modernismo, já percebido e denunciado, é o objetivismo. O liberalismo e o fundamentalismo são "idólatras" em certo sentido. E digo isso, e assumindo isso qualifico minha fala, sabendo que "a reflexão teológica nunca ocorre em um vácuo social ou cultural", como diz o Mcgrath. Pois, se há uma luz lançada pela minha cultura é a percepção desse pertencimento cultural e social. Essa percepção já é uma "superação latente" da modernidade.

Usarei esse espaço, a princípio, trazendo minhas fontes de caminhada, para esse passeio público. Gente que nesse assunto me influenciou de modo significativo. Dos quais, cito o Mcgrath, o N. T. Wright, o George Ladd, o Bernard Ramm, Oscar Cullmann, Ratzinger, Lutero, Vanhoozer, etc.

Para aqueles que decidirem me acompanhar nessa caminhada é fundamental entender minha distinção (não digo que são completamente separáveis) da ideia de crença e sua formulação teórica, e da fé mesma. A fé é um dom, é indisponível, envolve o "ser todo". Os racionalistas inventaram um nome - para e por eles amaldicoado - "fideísmo": com o qual obscurecem a origem e natureza mística da fé. A fé é suficiente, a crença é um desenvolvimento precário. Vamos conversar melhor sobre isso. 

Para esses passos, escolhi carregar comigo três valores: honestidade, fidelidade e criatividade. A honestidade me obriga a estudar e a vencer minha própria ignorância, por ela assumida. É a honestidade também que me dá liberdade para pesquisa, para transitar nas tradições, para pensar a questão sem restrições. A honestidade é que qualifica a fidelidade. A fidelidade deve ser honesta. A fidelidade é o meu cuidado com a Tradição, com a fé comum, com um Pertencimento, e com a relação da reflexão com a Fé. Não resolvi caminhar sozinho. Exatamente por isso resolvi trazer como companhia teólogos qualificados. A fidelidade desconfia de si, e do "nós" mais próximo: nossa cultura, nossa confissão, nossos pressupostos... A criatividade não é inovadora, mas a qualidade que melhora as demais.

Tentarei limitar o tamanho dos textos para que o passeio seja agradável.

É sempre mais gratificante partilhar a fé! Preciso de um esforço maior para que a partilha da crença me dê algum tipo de satisfação. Mas é justamente acreditando em uma continuidade entre ambas, que acho animo para esse empreendimento. Essa continuidade não será a ênfase aqui: mas ela é a base de tudo. Tudo aqui é feito pela Fé.

Avante!


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