domingo, 22 de outubro de 2017

Bíblia: em busca de uma elaboração teórica III


Parte II
Parceiro de Caminhada: Alister McGrath
Segundo Passeio



2 A filosofia por trás desse inerrantismo foi posta a descoberto, e questionada, pela Bíblia mesma.
2.1 Teólogos inerrantistas, com versículos nas mãos, precisam agora falar de sua filosofia: e, afinal, percebê-la.
2.1.2 A Filosofia, e todo conjunto de pressupostos, condicionam o modo de interpretar a Bíblia. Nenhuma ingenuidade nesse sentido passa mais despercebido, nem se justifica mais. Reconhecer isso é um primeiro dever.
2.1.2 Os inerrantistas de hoje tem mais possibilidades de enxergar isso.
2.2 A maior percepção da fundamentação pré teórica do pensamento é uma tendência da filosofia atual, contudo, a crítica parte incisivamente de considerações bíblicas.
2.2.1 A tradição evangélica que se amarrou ao inerrantismo, e, por ele, achou que colocou todas as tradições sob o juízo da Bíblia, precisa se explicar perante a Bíblia.
2.2.2 É preciso nos perguntar sobre pressuposições biblicas, sua possibilidade e mesmo a revisão de outras pressuposições à lua da Bíblia.
2.3 Essa tradição inerrantista mais monolítica é geralmente associada ao fundamentalismo evangélico. Há, contudo, inerrantistas não exclusivistas.
2.4 Há uma certa localização desse tipo de teologia mais racionalistas, muitos autores tem apontado os EUA como o lugar de maior profusão desse tipo de teologia. A teologia americana, como se sabe, é exportada. E tem uma influência especial na teologia brasileira. É importante conhecer os nomes dos autores associados a essa teologia racionalista. Quanto mais um jovem estudante for capaz de identificar as teologias, mais livre ele será para afirmar sua própria identidade de fé.
2.4.1 Essa importação condiciona, as vezes determina. O racionalismo teológico é geralmente exclusivista, isto é, não reconhece as alternativas como legítimas.
2.5 Embora não seja verdade que todo inerrantista é exclusivista, a luta contra o exclusivismo (que é predominante entre os inerrantistas) é uma luta de qualidade evagélica: uma luta pela liberdade, valor e importância das Escrituras.
2.6 A filosofia por trás desse racionalismo teológico reduziu distorcivamente a verdade da revelação bíblica a seu aspecto proposicional.
2.6.1 Associada ao reacionarismo, que é cego, deixaram de perceber nuances da verdade expressas por outras teologias. Por exemplo, a verdade bíblica como relação.
2.6.2 É comum para essa expressão de racionalismo, rejeitar taxativa e preconcebidamente teologias sem uma análise de mérito séria, honesta e comprometida mais com a Bíblia que consigo mesma.
2.7 As brigas pela “verdade” da Bíblia se mostram um tanto briga por si mesmos. Os pscicanalistas estão dizendo que um fundamentalista tem uma ideia de Deus muito proxíma do seu “eu”.
2.7.1 O resultado é esse tipo de defesa bíblica, aprisiona a bíblia mesma. Cercam-na do eu, da nossa interpretação. Reduz sua mensagem. E toda redução é distorciva.

Há uma percepção crescente dentro do evangelicalismo de que a posição de Princeton está em última análise dependente de suposições e normas extrabíblicas. A vista da determinação do evangelicalismo de não permitir que qualquer coisa de fora do material bíblico assuma um papel normativo ou fundamental no pensamento cristão, tem-se provado necessário questionar esse modo particular de expressar e defender a autoridade das Escrituras – mas não por em dúvida essa questão em si. Por fim, o evangelicalismo está simplesmente no processo de substituir uma abordagem a autoridade biblica (que é vista agora sendo baseada em axiomas filosóficos) com outra (baseada em considerações mais bíblicas)” (p. 99, Paixao pela verdade).
Há uma necessidade real de resgatar a Bíblia do fundamentalismo”, (Introdução ao Protestantismo, pag 54).
Nos Estados Unidos, a tendência para aderir ao racionalismo dentro dos círculos evangélicos foi acelerada durante fins do século XVIII e começo do século XIX pela ampla adoção do que se tornou conhecido como o “realismo escocês” ou filosofia “do senso comum” … O resultado é que formas do evangelicalismo estado-unidense que tem sido especialmente influenciado por racionalismo, como aquela associada com Carl Henry, tem colocado ênfase demais na noção de uma revelação bíblica puramente proposicional” (p. 90, Paixao pela verdade).
A tendência geral de tratar a Bíblia puramente como um livro-fonte de verdades puramente proposicionais pode ser argumentada de maneira a encontrar base especialmente na antiga escola de Princeton, em particular nos escritos de Charles Hodge e Benjamin B. Walfield, em que tendências das pressuposições do Iluminismo é especialmente fácil de ser notada.” (p. 146, Paixao pela verdade).
Reduzir a revelação a princípios ou conceitos é suprimir o elemento de mistério, santidade e maravilha na automanifestação de Deus” (pag 9, Paixao pela verdade).
Alguns evangélicos como Carl F. H. Henry e R. C. Sproul, são fundamentalistas em suas abordagens...” (Nota 37 p. 210, Paixao pela verdade).
Donald G. Bloesch já argumentou que um espírito fortemente racionalista pode ser discernido mesmo dentro dos escritos desses evangélicos modernos estado-unidenses, como Carl F. H. Henry, John Warwck Montgomery, Francis Shaerffer e Norman Geisler.” (p. 142, Paixao pela verdade).

Leiam o  Primeiro Passeio.

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